domingo, 7 de agosto de 2011

Fantasma da recessão paira sobre Europa e EUA


Nem os mercados ajudam a economia, nem a economia ajuda os mercados. Nas últimas semanas os indicadores macroeconómicos têm assustado os investidores, que estão cada vez mais receosos de uma nova recessão na Europa e nos Estados Unidos. Esta quarta-feira surgiram mais dados negativos na indústria e nos serviços.
De acordo com a Markit Economics, o crescimento dos serviços e da indústria da zona euro abrandou para o nível mais baixo em quase dois anos. O indicador avançado que perspectiva os dois sectores recuou para 51,1 pontos valores acima de 50 representam crescimento. É o valor mais baixo desde Setembro de 2009.
A indústria está, aliás, a desacelerar um pouco por todo o mundo. Na segunda-feira foram publicados indicadores que mostram que, em Julho, a produção industrial recuou no Reino Unido, Austrália e Rússia, abrandou na China e na Europa e caiu para o nível mais baixo dos últimos dois anos nos Estados Unidos. "A indústria transformadora está a abrandar e em alguns casos já está em território recessivo", diz David Owen, economista-chefe da Jefferies International.
"E numa crise bancária e de endividamento, não se pode pôr muito peso nos consumidores, por isso depende-se ainda mais da saúde da indústria transformadora", frisa.
"Os indicadores mais recentes apontam para estagnação no crescimento económico [na Europa]", avançou à Bloomberg Nick Kounis, economista do ABN Amro. "Há grandes hipóteses de nova escalada na crise de dívida e isso causa incerteza. E os empresários estão a ganhar consciência disso e a incorporar essa incerteza nas suas decisões". Itália parece ser a próxima vítima da crise de dívida europeia. Na sexta-feira, os juros italianos superaram os de Espanha, estando acima dos 6%.
O cenário fica ainda mais negro porque, tal como a crise de dívida, a ameaça de recessão já não paira só sobre a Europa: já ataca em força no outro lado do Atlântico. Na quarta-feira, ficou a saber-se que os serviços norte-americanos cresceram em Julho ao ritmo mais baixo desde Fevereiro de 2010. Os empregos criados pelo sector empresarial ficaram aquém dos valores de Junho. E o consumo das famílias caiu em Junho pela primeira vez em dois anos.
Os dados já levaram a que cinco dos nove membros do "Business Cycle Dating Committee" - comité norte-americano que estabelece a definição de recessão e define os ciclos recessivos da economia dos EUA - a afirmar que os Estados Unidos estão sob a ameaça de uma nova recessão. "Não vem grande crescimento de lado nenhum.
Existem agora 50% de hipóteses de voltarmos em recessão", disse Martin Feldstein, professor em Harvard e membro do comité. A ideia já foi corroborada por Christina Romer, antiga conselheira económica da Casa Branca. "Os riscos de nova recessão aumentaram comparando com há seis meses atrás", garante
Mas o pior aconteceu na noite de sexta-feira. A Standard & Poor's cortou o ‘rating' dos Estados Unidos, passando de ‘AAA' para e ‘AA+', o que acontece pela vez na história do país. A agência considera que a administração de Barack Obama não tem capacidade de consolidar as finanças públicas do país, isto apesar de o Congresso ter aprovado um plano para subir o tecto da dívida pública em 2,1 biliões de dólares e, ao mesmo tempo, reduzir as despesas do Estado em 2,4 biliões de dólares nos próximos dez anos.

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